PROVADO (PRV) — Whitepaper v0.1
Reputação verificável para análise de mercado Rascunho para discussão — setembro de 2026
Sumário
- Resumo executivo
- O problema
- A solução
- Como funciona o protocolo
- O token PRV
- Tokenomics
- Arquitetura técnica
- Governança
- Segurança e riscos
- Aspectos regulatórios (Brasil)
- Roadmap
- Equipe e tesouraria
- Plano passo a passo de execução
- Glossário
1. Resumo executivo
Provado é um protocolo onde analistas de mercado publicam previsões (calls) com stake em jogo e têm seu histórico registrado de forma imutável e auditável em blockchain. Quem acerta constrói reputação e recebe recompensas; quem erra perde parte do stake. Seguidores pagam apenas por acesso a analistas com histórico comprovado — não por promessas.
O token PRV é o ativo que faz o sistema funcionar: é usado como garantia (stake) nas previsões, como meio de pagamento por assinaturas e como direito de voto na governança.
Em uma frase: Provado transforma "confie em mim" em "verifique meu histórico".
2. O problema
O mercado de sinais e análises de criptomoedas movimenta bilhões, mas opera quase sem responsabilização:
- Histórico não verificável. Grupos de sinais mostram apenas os acertos; os erros são apagados ou nunca publicados.
- Zero pele em jogo. O analista ganha a assinatura independentemente do resultado. Quem perde dinheiro é sempre o seguidor.
- Custo de descobrir bons analistas é alto. Um trader precisa pagar por vários grupos e perder capital para descobrir quem realmente entrega.
- Incentivos invertidos. Quanto mais sensacionalista a call, mais assinantes — a precisão não é premiada.
- Sem portabilidade. A reputação construída no Telegram morre no Telegram; não é um ativo do analista.
Nenhuma dessas falhas se resolve com "mais um grupo". Elas exigem uma camada de registro neutro, com custo de mentir e prêmio por acertar.
3. A solução
Provado é uma camada de registro e incentivos com três participantes:
| Participante | O que faz | O que ganha |
|---|---|---|
| Analista | Publica calls com stake em PRV | Recompensa por acerto + assinaturas |
| Seguidor | Assina analistas com histórico | Acesso a calls antes da execução |
| Verificador | Roda oráculos que resolvem as calls | Taxa de verificação em PRV |
Princípios de design
- Registro antes do resultado. Uma call só conta se for registrada em blockchain com hash e timestamp antes do evento previsto.
- Stake proporcional à confiança. O analista escolhe quanto apostar; quanto maior o stake, maior o peso da call na reputação (e maior a perda em caso de erro).
- Resolução objetiva. Calls são resolvidas por oráculos de preço (ex.: "BTC acima de X até a data Y"), não por opinião.
- Reputação como ativo. O score do analista é um NFT não transferível (soulbound) que ele carrega para qualquer plataforma.
4. Como funciona o protocolo
4.1 Ciclo de vida de uma call
Analista → cria call (ativo, direção, alvo, prazo, stake)
→ call é registrada on-chain (hash + timestamp)
→ conteúdo fica oculto para não-assinantes até o prazo
→ prazo vence → oráculo consulta preço → call resolvida
→ ACERTO: stake devolvido + recompensa do pool
→ ERRO: parte do stake vai para o pool de recompensas
→ score de reputação é atualizado
4.2 Estrutura de uma call
| Campo | Exemplo |
|---|---|
| Ativo | BTC/USDT |
| Direção | Alta |
| Preço de referência | 71.400 |
| Alvo | 76.000 |
| Invalidação (stop) | 69.800 |
| Prazo | 14 dias |
| Stake | 500 PRV |
| Confiança declarada | 70% |
4.3 Resolução
- Alvo atingido antes da invalidação e dentro do prazo: acerto.
- Invalidação atingida primeiro: erro.
- Prazo vence sem tocar nenhum dos dois: neutro (stake devolvido, sem recompensa, pequena taxa de rede).
Os preços são obtidos de oráculos descentralizados (Chainlink ou Pyth) com agregação de múltiplas fontes, o que elimina disputa manual.
4.4 Score de reputação
O score não é uma simples taxa de acerto — isso premiaria quem faz calls fáceis. Ele combina:
- Taxa de acerto ponderada pelo stake (calls com mais stake pesam mais)
- Calibração — se o analista declara 70% de confiança, ele deve acertar perto de 70% dessas calls. Excesso de confiança é penalizado.
- Razão risco/retorno das calls (alvo distante com stop apertado vale mais)
- Decaimento temporal — calls antigas pesam menos, para refletir o desempenho atual
- Volume mínimo — score só é exibido após 20 calls resolvidas
4.5 Assinaturas
Seguidores pagam em PRV para ver calls de um analista antes da resolução. O analista define o preço. O protocolo retém uma taxa (ver seção 6) e o restante vai para o analista.
4.6 Penalidades e anti-manipulação
- Spam de calls: custo mínimo de stake por call e limite de calls simultâneas por analista.
- Calls contraditórias (alta e baixa no mesmo ativo/prazo): detectadas e anuladas, com perda de stake.
- Sybil (várias contas): o score precisa de histórico; criar contas novas não dá vantagem, e o stake mínimo torna o ataque caro.
- Manipulação de oráculo: uso de múltiplas fontes e janela de tempo, não preço instantâneo.
5. O token PRV
5.1 Funções
| Função | Descrição |
|---|---|
| Stake | Garantia obrigatória em cada call |
| Pagamento | Assinaturas de analistas e taxas do protocolo |
| Governança | Voto em parâmetros (taxas, penalidades, oráculos, tesouraria) |
| Verificação | Verificadores fazem stake de PRV para operar nós de resolução |
5.2 Especificação
- Padrão: ERC-20
- Rede: Base (L2 da Coinbase sobre Ethereum) — custo baixo, segurança do Ethereum, boa liquidez
- Supply máximo: 1.000.000.000 PRV (fixo, sem inflação além da emissão programada)
- Decimais: 18
6. Tokenomics
6.1 Distribuição inicial
| Alocação | % | Tokens | Vesting |
|---|---|---|---|
| Recompensas do protocolo | 35% | 350M | Emissão programada em 6 anos, decrescente |
| Tesouraria da DAO | 20% | 200M | Desbloqueio via governança |
| Equipe e fundadores | 15% | 150M | Cliff 12 meses, vesting linear 36 meses |
| Investidores iniciais | 12% | 120M | Cliff 6 meses, vesting linear 24 meses |
| Liquidez inicial (DEX) | 8% | 80M | Travada 24 meses |
| Venda pública | 6% | 60M | Sem lock |
| Airdrop / comunidade | 4% | 40M | 50% no TGE, 50% em 6 meses |
Racional: mais de metade do supply vai para quem usa e governa o protocolo. Equipe e investidores somam 27% com vesting longo — abaixo da média do mercado, sinalizando compromisso de longo prazo.
6.2 Fluxo de valor
Assinaturas ─┐
Taxas de call ─┼──► Taxa do protocolo (10%) ──► 50% queima
Penalidades ──┘ 30% pool de recompensas
20% tesouraria
- Queima: cria pressão deflacionária proporcional ao uso real.
- Pool de recompensas: alimentado por penalidades e emissão; distribuído a analistas com acerto, ponderado por stake e dificuldade.
- Tesouraria: financia desenvolvimento, auditorias e incentivos.
6.3 Emissão programada (recompensas)
| Ano | Tokens emitidos | % do total de recompensas |
|---|---|---|
| 1 | 105M | 30% |
| 2 | 87,5M | 25% |
| 3 | 70M | 20% |
| 4 | 45,5M | 13% |
| 5 | 28M | 8% |
| 6 | 14M | 4% |
A emissão alta no início atrai analistas antes de existir volume de assinaturas; depois, o protocolo precisa se sustentar com taxas reais.
6.4 Mecânica do stake
- Stake mínimo por call: 100 PRV (ajustável por governança)
- Perda em caso de erro: 30% do stake (ajustável)
- Recompensa por acerto: proporcional a
stake × (1 - confiança declarada)— apostar alto em algo que você declarou como improvável paga mais
7. Arquitetura técnica
7.1 Camadas
┌──────────────────────────────────────┐
│ Frontend (web + app) │ Next.js, wallet connect
├──────────────────────────────────────┤
│ Indexador / API │ The Graph ou Ponder, cache de scores
├──────────────────────────────────────┤
│ Smart contracts (Base) │ Solidity
│ ├─ PRVToken.sol (ERC-20) │
│ ├─ CallRegistry.sol │ registro e resolução de calls
│ ├─ Staking.sol │ stake, penalidade, recompensa
│ ├─ Reputation.sol │ NFT soulbound + score
│ ├─ Subscription.sol │ assinaturas e split de receita
│ └─ Governance.sol + Timelock │ OpenZeppelin Governor
├──────────────────────────────────────┤
│ Oráculos │ Chainlink Data Feeds / Pyth
└──────────────────────────────────────┘
7.2 Privacidade das calls
A call é publicada como commit-reveal: no registro, só o hash vai on-chain (prova de que existia). O conteúdo fica criptografado no IPFS, com chave liberada a assinantes. No prazo, o conteúdo é revelado publicamente para verificação de qualquer um.
7.3 Por que Base
- Taxas por transação na casa de centavos — essencial para calls frequentes
- Herda a segurança do Ethereum
- Ecossistema ativo, ferramentas maduras (Foundry, Hardhat, OpenZeppelin)
- Alternativas consideradas: Arbitrum (similar), Solana (mais barato, mas ferramental e auditoria mais caros em Rust)
7.4 Stack recomendada
- Contratos: Solidity 0.8.x, Foundry para testes, OpenZeppelin como base
- Auditoria: duas auditorias independentes antes do mainnet
- Frontend: Next.js + wagmi + viem
- Indexação: Ponder (self-hosted) ou The Graph
- Armazenamento: IPFS via Pinata para conteúdo das calls
8. Governança
- Modelo: DAO com OpenZeppelin Governor + Timelock de 48h
- 1 PRV = 1 voto, com bônus por tempo de lock (veToken, até 2x com lock de 2 anos)
- Quórum: 4% do supply circulante
- Parâmetros votáveis: taxas, stake mínimo, % de penalidade, oráculos aceitos, uso da tesouraria, adição de novos tipos de call
- Fase inicial (12 meses): multisig 4-de-7 com poder de veto para emergências, dissolvido após a fase de descentralização progressiva
9. Segurança e riscos
Riscos técnicos
- Bug em contrato: mitigado por auditorias, bug bounty (Immunefi) e lançamento gradual com limites de stake.
- Falha de oráculo: múltiplas fontes, circuit breaker se as fontes divergirem mais de 2%.
- Front-running: commit-reveal e resolução baseada em janela de tempo.
Riscos econômicos
- Baixa adoção de analistas: emissão inicial alta + programa de embaixadores.
- Liquidez fina: liquidez travada por 24 meses, sem venda de equipe no primeiro ano.
- Gaming do score: calibração e decaimento temporal dificultam explorar o sistema com calls fáceis.
Riscos de mercado
- Volatilidade do PRV afeta o custo real do stake. Solução futura: permitir stake em stablecoin com conversão automática.
10. Aspectos regulatórios (Brasil)
Esta seção é um mapa de pontos de atenção, não parecer jurídico. Consulte advogado especializado em criptoativos antes de qualquer lançamento.
- Lei 14.478/2022 (Marco Legal dos Criptoativos) e regulamentação do Banco Central: prestadores de serviço de ativos virtuais (VASPs) precisam de autorização. Um protocolo descentralizado pode não se enquadrar, mas a entidade que opera frontend e custódia pode.
- CVM — Parecer de Orientação 40: se o token for caracterizado como valor mobiliário (expectativa de lucro pelo esforço de terceiros), a oferta pública exige registro. O desenho do PRV como token de utilidade e governança — com uso real desde o dia 1 — reduz esse risco, mas não elimina. A venda pública é o ponto mais sensível.
- Tributação: ganhos com cripto são tributados (IN RFB 1.888/2019 e Lei 14.754/2023 para ativos no exterior). A estrutura da fundação/empresa emissora influencia isso.
- Estrutura jurídica comum: fundação no exterior (Suíça, Cayman, Panamá) detendo a propriedade intelectual e a tesouraria, com empresa operacional no Brasil. Tem custo e complexidade — decisão para tomar com advogado.
- Conteúdo de análise: analistas de valores mobiliários no Brasil precisam de credenciamento CVM. Para cripto puro, a regra hoje é mais frouxa, mas isso pode mudar. O protocolo deve deixar claro que calls não são recomendação de investimento.
11. Roadmap
| Fase | Período | Entregas |
|---|---|---|
| 0 — Fundação | Meses 1–2 | Whitepaper final, estrutura jurídica, equipe núcleo, identidade visual |
| 1 — Protótipo | Meses 3–5 | Contratos em testnet, frontend básico, 50 analistas beta convidados |
| 2 — Auditoria | Meses 6–7 | Duas auditorias, bug bounty, correções |
| 3 — TGE | Mês 8 | Lançamento do token, liquidez na DEX, airdrop para beta testers |
| 4 — Mainnet | Meses 8–10 | Protocolo em produção com limites de stake, programa de embaixadores |
| 5 — Crescimento | Meses 11–18 | Assinaturas, app mobile, integração com TradingView (publicar call direto do gráfico), novos tipos de call (ações, forex) |
| 6 — Descentralização | Meses 18–24 | Transferência de controle para a DAO, dissolução do multisig |
12. Equipe e tesouraria
Equipe mínima viável para chegar ao mainnet:
- 1 fundador / produto (você)
- 2 desenvolvedores Solidity (um sênior)
- 1 desenvolvedor frontend
- 1 pessoa de comunidade/crescimento
- Advogado e contador terceirizados
- Auditorias terceirizadas
Orçamento estimado até o mainnet: US$ 250 mil a 500 mil, sendo auditorias a maior linha isolada (US$ 60 mil a 150 mil). Esse valor é o que a rodada de investidores iniciais precisa cobrir.
13. Plano passo a passo de execução
Etapa 1 — Validar a ideia (semanas 1–4)
- Entrevistar 20 analistas e 30 seguidores de grupos de sinais. Pergunta central: "você registraria suas calls com dinheiro em jogo?"
- Montar uma landing page com lista de espera.
- Rodar um piloto sem blockchain: planilha pública + hash das calls publicado no Twitter/X. Se ninguém quiser participar sem token, não vai querer com token.
- Critério de continuar: pelo menos 15 analistas dispostos a entrar no beta.
Etapa 2 — Estrutura (semanas 5–8)
- Consultar advogado de cripto sobre estrutura (fundação + empresa) e enquadramento do token.
- Definir cap table e acordo de fundadores.
- Fechar a equipe núcleo (pelo menos o dev Solidity sênior).
- Finalizar o whitepaper com feedback do piloto.
Etapa 3 — Construir (semanas 9–20)
- Escrever os contratos com Foundry; cobertura de testes acima de 90%.
- Deploy em testnet (Base Sepolia).
- Frontend mínimo: conectar carteira, criar call, ver score, assinar analista.
- Beta fechado com os analistas do piloto usando tokens de teste.
- Iterar a fórmula de score com dados reais do beta.
Etapa 4 — Financiar (paralelo à etapa 3)
- Preparar pitch deck e data room.
- Rodada com fundos de cripto e anjos: 12% do supply por US$ 300–500 mil (define valuation inicial).
- Alternativa se não conseguir rodada: lançamento justo (fair launch) com escopo reduzido e equipe menor.
Etapa 5 — Segurança (semanas 21–28)
- Contratar duas auditorias (ex.: uma boutique + uma grande).
- Corrigir tudo o que for crítico e alto; publicar os relatórios.
- Abrir bug bounty.
Etapa 6 — Lançar (semanas 29–32)
- Deploy dos contratos em mainnet com multisig.
- Criar pool de liquidez PRV/ETH em DEX (Aerodrome ou Uniswap na Base) e travar a liquidez.
- Airdrop para beta testers.
- Abrir o protocolo com limites de stake baixos, aumentando semanalmente.
Etapa 7 — Crescer (mês 9 em diante)
- Programa de embaixadores: analistas com score alto recebem PRV extra por trazer seguidores.
- Publicar rankings semanais — o ranking em si é marketing.
- Integração com TradingView e Telegram (bot que registra a call on-chain a partir de uma mensagem).
- Listagens em CEX apenas depois de volume orgânico comprovado — listar cedo demais só atrai especulação.
O que evitar
- Lançar o token antes do produto. Token sem uso vira só especulação e atrai o público errado.
- Prometer retorno. Além de ser ilegal em vários cenários, contradiz a proposta do projeto.
- Economizar em auditoria. É o único item em que cortar custo pode encerrar o projeto.
- Distribuição concentrada. Equipe + investidores acima de 35% costuma ser rejeitado pela comunidade.
14. Glossário
- Call: previsão de preço registrada no protocolo.
- Stake: tokens depositados como garantia de uma call.
- TGE (Token Generation Event): momento em que o token passa a existir e circular.
- Vesting: liberação gradual de tokens ao longo do tempo.
- Cliff: período inicial sem liberação alguma.
- Oráculo: serviço que traz dados externos (preços) para a blockchain.
- Soulbound NFT: NFT que não pode ser transferido — ligado permanentemente a uma carteira.
- Commit-reveal: registrar um hash primeiro e revelar o conteúdo depois, provando que existia antes.
- DAO: organização governada por votação de detentores de tokens.
- VASP: prestador de serviços de ativos virtuais, termo da regulação brasileira.
- Multisig: carteira que exige várias assinaturas para executar uma transação.